Sindicalista constrange presidente durante reunião

Ubiraci Dantas aproveitou presença de Dilma e dos ministros em reunião para atacar por falta de ações

Bira durante em encontro com presidente Dilma, em 2012: relações deterioradas / Renato Alves / MTE

Bira durante em encontro com presidente Dilma, em 2012: relações deterioradas / Renato Alves / MTE

Por Tayguara Ribeiro

Especial para o DIÁRIO

A fama de brava e durona da presidente Dilma Rousseff foi colocada em xeque pelo líder da CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), Ubiraci Dantas, o Bira. O sindicalista aproveitou uma reunião com a petista, na semana passada, para fazer  duras críticas contra a falta de ações concretas do atual governo. Dilma permaneceu calada durante todo o tempo. Em alguns momentos, deixou clara a contrariedade de ser atacada dentro da “própria casa”, no caso, o Palácio do Planalto. Os ministros presentes também nada falaram. Alguns não esconderam o constrangimento. Outros, alvos constantes das broncas da presidente, se sentiram vingados.

O encontro era do  CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República). Bira foi convidado a falar em nome dos trabalhadores. O presidente da CGTB atacou, principalmente,  os problemas de mobilidade urbana e a falta de investimentos no transporte público. “A situação está lamentável. Milhões de trabalhadores gastam, em média,  de duas a três horas dentro de um ônibus para ir ao trabalho e igual tempo para voltar para casa. Ônibus superlotados, de péssima qualidade, com frotas caindo aos pedaços em várias regiões do país”, dizia um trecho da intervenção do sindicalista.

 “O governo federal foi à televisão em junho do ano passado e apresentou um investimento de R$ 50 bilhões para a melhoria da mobilidade urbana. Mas o que estou observando é que de lá para cá a situação não melhorou”, continuou.

Diversas pessoas presentes aplaudiram o discurso,  incluindo membros do governo, o que deixou a presidente ainda mais contrariada, segundo o próprio Bira.

“Tudo isso estava engasgado na garganta da sociedade brasileira. De 2011 para cá o governo é um desastre absoluto. Eu falei com todo o respeito, mas era o que estava sentindo naquele momento”, afirmou.

Ele disse que essa não foi a primeira vez que fez “observações” à presidente, mas admite que ela, agora, “ficou bastante tensa”. “Não era minha intenção”, rebate.  “Já tinha conversado com ela sobre o que achamos estar errado na condução do governo, mas realmente nunca em uma reunião como aquela. Eu a cumprimentei depois do discurso, ela retribuiu o gesto, mas não disse nada.”

Mobilidade urbana: péssima

qualidade e preços absurdos

Exposição do presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), na reunião Plena do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, em 16/04/14, que contou com a participação da presidente Dilma Rousseff

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=kaMjwgMbgGQ[/youtube]

Vemos com preocupação a situação dos atuais serviços públicos no nosso país, em especial a mobilidade urbana. A mobilização de milhões de jovens pelo país em junho do ano passado foi fundamentalmente contra os preços absurdos e a péssima qualidade dos transportes coletivos.

Na mobilidade urbana a situação está lamentável, milhões de trabalhadores gastam em média de duas a três horas dentro de um ônibus para ir ao trabalho e igual tempo para voltar para casa. Ônibus superlotados, em péssima qualidade, com frotas caindo aos pedaços em várias regiões do país.

Metrôs insuficientes, caros e abarrotados nas horas de pico. O metrô é o principal transporte de massa. O de São Paulo é o mais caro da América Latina, três vezes mais caro que o de Buenos Aires. Essa é a situação. O governo federal foi à televisão em junho do ano passado e apresentou um investimento de 50 bilhões de reais para a melhoria da mobilidade urbana.

Mas o que estou observando é que de lá para cá a situação não melhorou, vez por outra vejo sendo mencionado investimento na ordem de 143 bilhões de reais e fico curioso para saber onde foram aplicados, pois a situação permanece a mesma. Curioso com essa questão, consultei a execução financeira de 2013 para ver as verbas federais para a mobilidade urbana e encontrei no item 2048: mobilidade urbana e trânsito – que aparece como pago a quantia de R$ 224 milhões, 925 mil e novecentos reais, mais R$ 287 milhões e cinco mil e 844 reais nos restos a pagar.

Portanto, neste item um total de R$ 511 milhões, 931 mil e 744 reais. No item 9989: mobilidade urbana aparece como pago a quantia de R$ 18 milhões, 847 mil e 400 reais.

Somando os dois, ao todo dá 530 milhões, 779 mil e 144 reais. Fora isso mais nada. Gostaria realmente de entender esse enigma. Enquanto isso, corte no orçamento e contingenciamento para fazer superávit primário, taxa de juros nas alturas e exorbitantes transferência de recursos para o exterior para pagamentos de juros aos bancos estrangeiros.

Estados e municípios estão com a corda no pescoço, por conta da dívida com a União. Por exemplo: em maio de 2000 a dívida do município de São Paulo “renegociada” como o governo federal era de 10 bilhões, 505 milhões, 801 mil e duzentos reais. (Diário Oficial da União, página 26 do dia 03/05/2000). Ao final de 2013, depois de pagar 22 bilhões, 344 milhões e 653 mil e 761 reais, sem que houvesse qualquer outro empréstimo, essa mesma dívida foi aumentada para 58 bilhões, 594 milhões e 80 mil reais. Como fazer investimento, particularmente na mobilidade urbana, com essa realidade? É preciso renegociar a dívida dos estados e municípios em outros patamares, mudando o índice de correção imediatamente, pois o IGPI + 9% acumulou 862% contra 507% da Selic no mesmo período.

As centrais sindicais foram às ruas dia último dia 9 de abril, em São Paulo, com mais de 50.000 trabalhadores, organizados, sem baderna e sem máscaras, defendendo a pauta trabalhista, entre as quais o transporte público de qualidade.

Pedimos audiência com a presidenta Dilma para debatermos essas questões e melhorar a vida do povo brasileiro. Estamos no aguardo.

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=kaMjwgMbgGQ[/youtube]

Aproveito a oportunidade para levantar algumas sugestões para o debate no Conselho, para fazermos frente a essa situação:

1 – renegociação da dívida dos estados nos termos acordado;

2 – redução das taxas de juros;

3 – redução do superávit primário;

4 – aumento da Formação Bruta de Capital Fixo, ou seja, aumento dos investimentos públicos.

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