A Observação Silenciosa Autor: Alberto Filho

Estar ciente da Inquietude da Mente, já é Disciplina…
“Se o ensinamento não visa a liberdade consciencial, não é ensinamento…”
Anônimo

O potencial criador de Uma mente serena não pode ser medido pelo senso comum...

O potencial criador de Uma mente serena não pode ser medido pelo senso comum…

Parece que a inquietude da mente, acaba por transformar o indivíduo em um eterno insatisfeito, e como consequência, alguém sempre frustrado em tudo que realiza ou tenta realizar. É aquele indivíduo que tende a se enfastiar rapidamente depois de ter alcançado um objetivo qualquer, e o desânimo e tédio torna-se um desdobramento natural desse processo.

Uma criança inquieta, a despeito de suas idiossincrasias, quase sempre teve como espelho pais inquietos, ou foi criada em meio à inquietude. E mesmo que possua um temperamento calmo, a pressão sistemática da mesologia onde vive tenderá a mudar esse perfil.

Também não podemos negar que a pressa dos tempos modernos acabe por contagiar à quase todos, com uma espécie de ansiedade de origem difusa e sem motivo aparente. É como se a pressa fosse o estado natural do homem, uma condição regra e não uma exceção.

E confunde-se pressa e ansiedade com determinação e motivação. A ansiedade, embora necessária em alguns casos, na maioria das ocorrências é sempre de cunho negativo. Ocorre que ela, ao liberar uma grande quantidade de adrenalina na circulação do indivíduo, desajusta todo seu metabolismo, e também afeta de forma dramática sua serenidade, quesito fundamental quando se pretende pensar com coerência e equilíbrio.

Motivação é um estado de permanente euforia sem liberação de adrenalina. Nessa condição, outros hormônios mais benéficos à saúde física e mental são então liberados. E a sensação é de permanente vigilância e interesse em concluir todas as tarefas com as quais estamos comprometidos. Não há então nem cansaço, nem o sentimento da obrigação motivado pelo medo de retaliações.

Se fisiologicamente a pressa cria um estado de euforia no indivíduo, esta pode se prolongar mesmo após o término daquela atividade. Ao contrário, a motivação libera um estado de serenidade, autoconfiança e sensação de bem estar, antes e depois.

E uma mente tomada pela preocupação está sempre desatenta. Isso nos torna mais suscetíveis aos erros, ou falhas graves, o que pode prejudicar a nós, ou aos outros. Diante de um nível de preocupação médio, já não nos importaremos com mais ninguém, e logo nos tornaremos insensíveis ao problema ou dor alheia.

O instinto assume nosso controle emocional quando nos sentimos encurralados diante de algum perigo, ou na iminência de algo que possa nos ameaçar. O instinto não tem senso ético, nem está sujeito a sentimentalismos de espécie alguma, especialmente aqueles que evocam a razão humana.

Quando movidos pelo instinto, nos tornamos insensíveis e cruéis, somos então conduzidos pela nossa natureza animal, sem moral, sem bom senso, e completamente sob o jugo do irracionalismo.

Uma mente inquieta compromete de modo importante nosso senso cognitivo, desvia nossa atenção, impede a assimilação do conhecimento sem distorções. Por reflexo, tornar-se-á esse indivíduo um adepto da preguiça e acomodação, um partidário da vida fácil, onde o esforço nunca é visto como uma coisa bem vinda.

Um adulto inquieto nunca está totalmente presente em nada do que faz. Será para sempre alguém ausente, disperso, fragmentado, dividido entre aquilo que está fazendo e o que gostaria de fazer.

Não conseguirá se realizar plenamente em nenhum empreendimento que venha a idealizar. Será agressivo por natureza, e é quase certo que não respeite o espaço do seu próximo. Será dominador, e imaginará que os outros devem se submeter aos seus caprichos. Tornar-se-á intolerante e inflexível em seus argumentos. Certamente, nos seus relacionamentos, buscará uma perfeição que não existe, e será uma fonte permanente de conflitos existenciais sérios.

Assim, o educador atento às consequências da inquietude juvenil ou infantil, deve ter em mãos alguns recursos, que poderão levar esses jovens, desde cedo, a lidar da forma adequada com esse estado mórbido.
Para que a criança aprenda um pouco mais sobre si mesmo, para que aprenda a avaliar seu estado emocional, a sentir seu espírito de momento a momento, a apreciar sua verdadeira natureza, ou se seus sentimentos estão em comunhão com aquilo que está fazendo, será preciso que tome conhecimento de algumas técnicas.

E para que aprenda a superar isso de forma racional, sem fugas, ou represando raivas ou mágoas, será imprescindível a ajuda do orientador. Ele irá ajudá-la a entender o que ela representa como ser humano, se tem uma função na vida, que valores são importantes e necessários para si, para uma existência pacífica e plena.

Instigar o Questionar, Esclarecer sem Impor, eis na prática um Bom Educador…
“Se o ensinamento não visa a liberdade consciencial, não é ensinamento…”
Anônimo

No contato com a natureza, a criança desperta a simpatia e responsabilidade para com o meio ambiente..

No contato com a natureza, a criança desperta a simpatia e responsabilidade para com o meio ambiente..

Mas antes de começar, será necessário que o mestre experimente o processo em si mesmo. Uma experiência pessoal é um conhecimento intransferível, e quando unimos a teoria à prática pela força da vivência, estaremos então capacitados a replicar todo processo, de modo que se tornem procedimentos cognitivos consistentes.

Entender a si mesmo é interagir, estudar e aprender sobre aquilo que sentimos. É uma análise dos nossos pontos falhos e fortes, do descarte do lixo e potencialização das virtudes.

Não se trata do sentimento coletado em gabaritos ou questionários, mas da sensação viva extraída da vivência pessoal, o que ocorre quando ouvimos nossos sentidos e entendemos sua linguagem de forma clara, deixando que nos digam o que verdadeiramente está acontecendo.

É fácil ver o que significa para nós a palavra felicidade. Mas a palavra felicidade é apenas uma concepção, com gabaritos, definições, protocolos e toda uma normatização social que serve para designá-la. No entanto, nada disso representa a felicidade em si, o estado psicossomático que de fato ela é. A palavra apenas expressa uma ideia do que poderia vir a ser felicidade, um mero modelo conceitual, uma utopia social, um mundo imaginário impossível de se manifestar através de vocábulos.

Compreender que as palavras não são capazes de reproduzir nas pessoas aquilo que tentam descrever, isso já seria o primeiro sinal de inteligência. Podemos, por exemplo, observar todo nosso estado emocional, em momentos de crise ou de serenidade. Na crise posso avaliar o estado, a qualidade dos meus pensamentos, o modo como interferem em meu corpo somático, criando ansiedade, angústia, impaciência.

Nos momentos de serenidade, poderia fazer a mesma avaliação, e uma vez mais, verificar meu estado mental e a qualidade dos meus pensamentos. Será que é diferente? Faça o teste.

Poderíamos definir esse espaço de tempo, como o momento de avaliação e estudo consciente do meu corpo somático, ou a Observação Silenciosa de si mesmo. Depois, com a prática, o exercício pode ser praticado a qualquer momento, em qualquer lugar.
A Prática
O exercício poderá ser realizado individualmente ou em grupo. O praticante pode estar sentado, deitado, ou em pé, mas o importante é que esteja parado, imóvel, confortável, e na medida do possível, relaxado e em silêncio. De qualquer modo, a prática em si já promove o relaxamento natural do indivíduo. Por estar relaxado, entendemos, despreocupados, desligados de qualquer outra coisa que não faça parte daquela atividade. Devemos ter em mente que, apenas uma coisa pode ser realizada por vez.

Para facilitar o processo, de olhos fechados, devagar, respire e aspire fundo por quatro ou cinco vezes, isso já promove um relaxamento inicial.

Podemos orientar para que o praticante feche os olhos mais uma vez, e calmamente, tente perceber o ambiente.

Deverá vasculhar com os ouvidos cada barulho, cada ruído do ambiente que seja capaz de identificar mentalmente, sem dar nomes, sem descrever para si mesmo, sem classificar com feio ou belo, ruim ou bom.

E a cada som que escuta, apenas tente descobrir de onde vem. Depois, num segundo estágio, deverá tentar identificar o que é cada coisa que consegue ouvir, inclusive o silêncio. Isso inclui sua própria respiração, e a de outros ao seu redor, se esse for o caso.

Feito isso, sua atenção estará totalmente concentrada naquela ação. Sua mente estará, sem resistência ou esforço, com seu foco centrado apenas naquilo que está fazendo, sem procurar ocupações longe dali.

Depois, sinta aquilo que é capaz de perceber enquanto permanece nesse estado. Qual é a sensação, a qualidade dos pensamentos e relaxamento físico. Nesse momento, você se sentira naturalmente mais sereno, ciente de tudo à sua volta; consciente de que é capaz de ter autocontrole, e atenção, tudo isso a depender de sua vontade, sem a ajuda de medicamentos ou drogas.

Dentro da mesma metodologia, numa outra etapa, repita o mesmo processo agora avaliando os cheiros, depois as diversas sensações térmicas que refletem em seu corpo. Com isso seu estado de atenção estará pleno, trabalhando de uma forma nova, com maior lucidez, mais vivo que nunca.

O estado resultante dessa pequena prática se reverte em segurança pessoal, aumento da autoestima, calma, eliminação dos ansiosismos, equilíbrio psicológico, maior potencial de memorização, maior fluidez e agilidade mental, consciência intensa de si mesmo. Enfim, torna-se uma porta aberta para o autoconhecimento e estabilidade pessoal.

fonte:http://sitededicas.ne10.uol.com.br/

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