Para não depender da Rússia, Alemanha deve explorar xisto

Para não depender da Rússia, Alemanha deve explorar xisto

A Alemanha se prepara para suspender a sua proibição ao uso da tecnologia de fratura hidráulica já no ano que vem. As empresas alemãs têm defendido que o país reduza a sua dependência em relação à energia russa e aumente sua competitividade em comparação com a indústria de transformação americana.

xisto_exploração

Os requerimentos para realizar o processo, que é a técnica usada na exploração de reservas de xisto e que pode permitir a extração de estimados 2,3 trilhões de metros cúbicos de reservas de gás de xisto, serão submetidos a uma avaliação de impacto ambiental, segundo prevê o novo projeto de lei a ser discutida pelo governo alemão antes do recesso de verão (de julho a setembro, no Hemisfério Norte).

A tecnologia de fratura hidráulica, também conhecida pelo termo em inglês “fracking”, foi alvo de acirrada discussão pela coalizão de governo da Alemanha. Alguns políticos estão interessados em reduzir a dependência do país em relação aos produtos energéticos importados da Rússia, enquanto outros temem o impacto ambiental dos produtos químicos usados pela tecnologia de fratura hidráulica num país densamente povoado.

A indústria de transformação alemã tem sido forte defensora da nova tecnologia, que, segundo ela, fornece energia barata de gás de xisto para as empresas concorrentes americanas, enquanto a Alemanha está às voltas com uma onerosa mudança para fontes renováveis subsidiadas.

shale

Detalhes das novas regulações surgiram numa carta enviada por Sigmar Gabriel, o ministro da Economia alemão, ao presidente da comissão de orçamento do Bundestag, a câmara dos deputados do país. Gabriel escreveu que a autorização para a aplicação da tecnologia da fratura hidráulica estaria sujeita à aprovação das autoridades regionais do setor hídrico e que “ainda estão sendo examinados novos requisitos para o processo de licenciamento do ‘fracking'”.

A tecnologia, que envolve injetar uma combinação de produtos químicos, areia e água no solo para fraturar as rochas que contêm o gás, será proibida em áreas em que a qualidade da água é oficialmente protegida. Entre os opositores da fratura hidráulica estão o setor cervejeiro, que teme que o processo possa contaminar a água empregada na produção de cerveja.

Segundo as condições do acordo da coalizão de governo da Alemanha, os pedidos de autorização para o uso da tecnologia serão deferidos somente se “ficar esclarecido para além de qualquer dúvida” que não há risco à qualidade da água e que não serão usados produtos químicos prejudiciais ao meio ambiente.

A principal organização empresarial alemã, a BDI, preferiu não comentar as propostas de utilização do “fracking”, pelo fato de o governo não as ter publicado oficialmente.

Citou, no entanto, um comunicado anterior, em que afirmava que “a lição mais importante das tensões com a Rússia” é que a Alemanha precisa contar com sua própria disponibilidade de matérias-primas.

“Por meio da tecnologia do ‘fracking’, a Alemanha poderia obter mais de 35% de seu consumo de gás a partir de fontes domésticas”, acrescentava o comunicado da BDI.

Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa
O Boom do Gás de Xisto nos EUA e seus Problemas

photo_verybig_143038

São impressionantes as notícias sobre o rápido aumento da produção de petróleo e gás do xisto (shale-oil). Há cinco anos, eram insignificantes, tendo chegado em 2010 a 23% de todo o gás produzido nos Estados Unidos, estimando-se chegar a 49% em 2035, e algo semelhante vem acontecendo do petróleo de mesma origem. Aquele país espera ficar independente da importação de energia nas próximas décadas, provocando uma das mais espantosas mudanças estruturais na sua economia. Este verdadeiro boom não poderia deixar de provocar também muitos problemas cujas discussões científicas e jornalísticas se intensificam.

Como na fragmentação do xisto, visando a produção de petróleo e gás, utilizam-se variados métodos, mas normalmente envolvendo a injeção de água com produtos químicos, e existem discussões técnicas sobre a poluição que estaria ocorrendo no subsolo, ainda que não existam, por ora, comprovações científicas insofismáveis, possivelmente do curto tempo decorrido. Nos vazamentos de óleo na superfície são evidentes os danos ecológicos, discutindo-se os males que estão causando aos animais e seres humanos. Nos transportes dos produtos químicos existem elevados riscos de contaminação do meio ambiente. Discute-se também o aumento dos riscos de terremotos com estas explorações.

Como este aumento da exploração está ocorrendo intensamente, num curto espaço de tempo, como resultado do baixo custo dos petróleos e gás extraídos, há uma expansão desorganizada, com abusos de todas as ordens. Isto vem ocorrendo não somente nos Estados Unidos, pois as existências de reservas de xisto estão comprovadas em mais de três dezenas de países. Em muitas regiões do mesmo país também já se efetuam as suas explorações.

0102-shale_full_600

O Wall Street Journal registra agora conflitos com os indígenas norte-americanos diante destas explorações nas suas reservas. Alguns líderes tribais estão sendo acusados de cederem reservas que pertencem a toda tribo por preços irrisórios para a exploração do xisto, beneficiando-se individualmente. Áreas que não valiam muito, onde a fonte de renda eram os cassinos, passam por uma euforia de novas atividades provocando acusações de irregularidades.

Em algumas regiões dos Estados Unidos, o tráfego de caminhões por estradas ainda precárias dão gritantes evidências de danos ambientais, com poluições e poeiras, proporcionando cenário como os que eram frequentes na China. Existem também suspeitas que a incidência de terremoto possa aumentar, com as fragmentações das rochas de xisto.

Constata-se que as promessas eleitorais do presidente Barack Obama de atingir a autossuficiência energética muito breve parece que começam a concretizar-se, mas custos sociais de toda ordem parecem agravar-se, notadamente nos aspectos ambientais, que podem ser de longo prazo.

Parece que acaba sendo uma desculpa para que os Estados Unidos não assumam metas quantitativas nos entendimentos internacionais no âmbito das Nações Unidas, provocando um grande prejuízo mundial na sustentabilidade do planeta.

Deixe uma resposta