China mostra interesse em leilões de ferrovias

China mostra interesse em leilões de ferrovias

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Os governos do Brasil e da China devem assinar um memorando de cooperação na área de ferrovias para auxiliar empresas de ambos os países a firmarem parcerias para disputar concessões no mercado brasileiro. O objetivo é permitir que companhias chinesas, com capital, investimento e conhecimento tecnológico no setor, possam se unir a empresas brasileiras, que estão acostumadas a atuar em regime de concessão.

O acordo deve ser assinado durante a visita do presidente chinês, Xi Jinping, ao Brasil, na próxima semana. Ele estará em Fortaleza para participar da reunião do grupo dos Brics, nos dias 15 e 16. Em seguida, terá encontro com a presidente Dilma Rousseff, em Brasília.

Xi Jinping

A visita também poderá ajudar a solucionar entraves às vendas brasileiras para a China de aviões e carne bovina. O governo brasileiro quer ampliar a pauta de exportações ao país asiático, concentrada em matérias-primas, e vender produtos mais elaborados.

Atualmente, há um entrave para a comercialização de 40 aviões da Embraer. A Tianjin, companhia aérea regional da China, fechou acordo para a aquisição dos jatos há seis meses, mas o governo local não permitiu o ingresso das aeronaves, alegando problemas burocráticos, como falta de especificações. A Embraer não recebeu o dinheiro e a Tianjin está sem os aviões.

Mais de cem empresários chineses vão acompanhar Xi Jinping, o que deve fortalecer os contatos para formação de consórcios capazes de disputar leilões em outras áreas além de ferrovias, como petróleo e energia elétrica.

“O Brasil se converteu no maior sócio comercial da China na América Latina. É o primeiro destino de nossos investimentos na região”, disse Xu Ying Zhen, diretora-geral do Ministério do Comércio para a América Latina e Oceania. Segundo ela, integrantes da delegação chinesa estão “muito interessados” em fazer investimentos no Brasil em energia, ferrovias, portos, rodovias e na indústria automobilística.

A delegação também terá empresas de tecnologia, setor que recebe incentivos de Pequim em busca de diversificação dos investimentos no exterior. “Enquanto consolidamos a cooperação em setores tradicionais, podemos ampliar em outros segmentos, como aviação e tecnologia”, disse Zhen.

Inflação em 12 meses surpreende governo

O governo ficou surpreso com a inflação de junho (0,40%), que fez o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) superar, na variação acumulada em 12 meses, o teto do regime de metas (6,50%). Com variação de 6,52%, este foi o 11º mês, em 42 meses do governo Dilma, em que o índice superou o limite de tolerância. “Não esperávamos o estouro do teto”, admitiu, em entrevista a esta coluna, o ministro interino da Fazenda, Paulo Caffarelli.

A realização da Copa do Mundo explica, em boa medida, a carestia de junho. E, como o torneio só termina no dia 13, deve pressionar os preços também em julho. De toda forma, Caffarelli acredita que, neste mês, a inflação ficará abaixo de 0,40%. “Confiamos que, em julho, o IPCA acumulado em 12 meses caia abaixo do teto”, disse ele.

O otimismo relativo da área econômica se baseia no que fez a inflação dar um salto em junho. Segundo o IBGE), as diárias de hotéis aumentaram 25,33% em junho, gerando inflação de 1,57% no item “despesas pessoais”, quase o dobro da variação registrada em maio (0,80%). Também em junho, as passagens aéreas, igualmente pressionadas pela Copa, subiram, em média, 21,95%, inflando o item “transportes”, cuja variação média chegou a 0,37% no último mês.

Caffarelli diz que IPCA recua em julho e revela tendência de queda

Apenas hotéis e tarifas aéreas responderam por 50% da inflação de junho – 0,20 ponto percentual do IPCA de 0,40%. O governo espera que, com o fim da Copa, esses preços recuem, devolvendo um pedaço significativo da inflação. “O IPCA mensal vem caindo desde março. E em junho, tivemos deflação nos preços dos alimentos e bebidas [de 0,11%] e nos itens de comunicação [de 0,02%]”, observa Caffarelli.

Dos grupos de preços acompanhados pelo IBGE, apenas os dois mencionados – transportes e despesas pessoais – subiram em junho, quando comparados a maio. Em todos os outros (alimentação e bebidas, habitação, artigos de residência, vestuário, saúde e cuidados pessoais, educação e comunicação), a inflação recuou. Não fosse a Copa, o IPCA poderia ter fechado o mês passado em torno de 0,20%, em linha com o resultado do mesmo mês de 2013 (0,26%).

Levantamento feito pelo secretário de Política Econômica, Márcio Holland, mostra que a inflação costuma subir no Brasil em períodos de Copa do Mundo, mesmo quando o evento é realizado em outros países.

É fato também que, no Brasil, a inflação costuma dar uma trégua entre os meses de junho e agosto e que volta a acelerar entre setembro e dezembro, como ocorreu nos últimos cinco anos. A dúvida sobre o restante do ano recai sobre os preços represados de algumas tarifas públicas, como energia e combustíveis.

Especialistas estimam que exista hoje uma inflação represada de 1,2 a 1,5 ponto percentual, algo que poderia levar o IPCA anual a quase 8%. O governo da presidente Dilma Rousseff já deixou claro que não pretende mexer nesses preços antes da eleição de outubro. A ideia também é evitar um “tarifaço”, isto é, o realinhamento integral das tarifas defasadas. A expectativa, porém, é que alguns reajustes ocorram em 2014.

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Nesse cenário, é possível que a inflação mensal continue caindo até agosto e em 12 meses siga pressionada neste e nos próximos meses – essencialmente, por causa do efeito base de comparação com 2013. No último trimestre do ano, a depender da decisão que o governo tome em relação aos preços administrados, ela pode voltar a subir nas duas medidas (mensal e em 12 meses), ameaçando fechar o ano acima do teto de tolerância. O governo, como deixa claro Paulo Caffarelli, não acredita nessa possibilidade.

A equipe econômica contrapõe as expectativas mais pessimistas com algumas medidas, em gestação, que pretendem diminuir custos das empresas. Estão no cardápio, entre outras iniciativas, a manutenção da desoneração da folha de pagamento de vários setores; a melhoria das condições de adesão ao Refis (programa de renegociação de débitos fiscais); a reedição do programa Reintegra; a adoção de estímulos para a abertura de capitais de pequenas e médias empresas; e a prorrogação dos benefícios fiscais das debêntures emitidas para projetos de infraestrutura.

Geralmente, medidas como essas, embora meritórias, ajudam a melhorar a margem de lucro das companhias e não necessariamente a controlar preços. Um argumento para se esperar uma inflação mais comportada nos próximos meses vem do Banco Central (BC): os efeitos defasados e cumulativos do ciclo de alta da taxa de juros estão se fazendo sentir neste momento na atividade econômica. “O que o BC tem dito é que os efeitos [da alta dos juros] batem na atividade primeiro e depois batem na inflação”, ponderou uma fonte oficial.

De fato, a economia tem mostrado sinais de baixo crescimento neste ano. No primeiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou apenas 0,2%. A produção industrial está recuando em maio e mesmo o varejo, um dos setores que mais cresceram na última década, tem mostrado acomodação.

Os números têm mostrado que, apesar do baixo crescimento, a inflação tem se situado, persistentemente, acima da meta de 4,5% – que, por um eufemismo típico de Brasília, virou “centro da meta”. Em 24 dos 42 meses de gestão Dilma, o IPCA ficou acima de 6% (ver gráfico), próximo do limite.

Cristiano Romero é editor-executivo e escreve às quartas-feiras

E-mail: cristiano.romero@valor.com.br


fonte:http://www.valor.com.br/

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