Bancos buscam saídas não ortodoxas para o crédito

Bancos buscam saídas não ortodoxas para o crédito

O desafio de aumentar o desembolso de crédito para empresas em uma economia em desaceleração encontrou uma resposta pouco ortodoxa em um grande banco nacional. A equipe responsável pelo desenvolvimento de produtos de empréstimos foi enviada para passar alguns dias imersa no dia a dia de uma série de companhias brasileiras, de diferentes setores, para identificar necessidades que estivessem fora do radar do banco.

Se ainda é cedo para verificar os resultados dessa abordagem, a experiência é simbólica do momento difícil do crédito para empresas no Brasil. Cálculos do Goldman Sachs mostram que o estoque de operações de crédito livre para empresas encolheu 1,4% em termos reais em 12 meses até julho.

O capital de giro, a segunda maior carteira de crédito da pessoa jurídica, puxou esse fraco desempenho. Segundo dados do Banco Central, o estoque dessa forma de crédito cresceu 3,8%, em termos nominais, para R$ 386 bilhões, nos 12 meses encerrados em julho. Em julho de 2013, o crescimento era de 10,4%. A maior parte da desaceleração nominal – que chega à retração em termos reais – se concentra em linhas de menos de 365 dias.

Nas últimas semanas, Bradesco e Santander anunciaram um total de R$ 20 bilhões – R$ 10 bilhões cada – em crédito pré-aprovado para empresas de médio e pequeno portes. A dúvida, porém, é quanto desses recursos será efetivamente usado pelas empresas. No Bradesco, no primeiro semestre, de um total de R$ 28 bilhões de crédito pré-aprovado para pequenas e médias empresas, apenas 10% foram utilizados. “Nossa expectativa é de um segundo semestre mais aquecido”, afirma o diretor-executivo do banco, Altair Antonio de Souza.

O Santander também trabalha com a expectativa de um segundo semestre melhor e admite que, até junho, a demanda por crédito foi inferior à média histórica.

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Bancos buscam saídas não ortodoxas para o crédito

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O dilema de como conseguir aumentar o desembolso de crédito para empresas em um cenário econômico ruim encontrou uma resposta pouco ortodoxa em um grande banco nacional. A equipe responsável pelo desenvolvimento de produtos de empréstimos foi despachada, no começo do semestre, para passar alguns dias imersa no dia a dia de uma série de empresas brasileiras, de diferentes setores. A proposta era que identificassem necessidades das companhias que estivessem fora do radar do banco – e respondessem a esses problemas com crédito.

“O crédito para empresas segue o ritmo morno da economia, então precisamos fazer um esforço de provocar as empresas a tomar crédito. O segundo semestre já tende a ser melhor por si só também, historicamente”, afirma o executivo autor do programa. “A situação em 2015 não deve ser muito diferente.”

Se ainda é cedo para verificar os resultados dessa abordagem, a experiência desse banco é simbólica do momento difícil do crédito para empresas no Brasil. Cálculos do Goldman Sachs mostram que o estoque de operações de crédito livre para empresas encolheu 1,4% em termos reais no acumulado de 12 meses encerrados em julho.

O capital de giro, a segunda maior carteira de crédito a empresas, atrás apenas das linhas do BNDES, foi que puxou esse fraco desempenho. Segundo dados do BC, o estoque de capital de giro cresceu 3,8%, em termos nominais, para R$ 386,9 bilhões, nos 12 meses encerrados em julho. Em julho do ano passado, a expansão tinha sido de 10,4%, na mesma base. A maior parte da desaceleração nominal, que chega a ser retração em termos reais, se concentra em linhas de prazo inferior a 365 dias.

Não à toa os bancos tentam estimular a demanda por crédito nas empresas. Nas últimas semanas, Bradesco e Santander anunciaram um total de R$ 20 bilhões – R$ 10 bilhões cada – em crédito pré-aprovado para empresas de médio e pequeno portes. O dinheiro está em linhas para pagamento de 13º salário, formação de estoques e até, no caso do Bradesco, em uma nova linha de “compror”, modalidade em que a empresa usa o crédito para pagar seu fornecedor à vista, e acerta com o banco a prazo, com a primeira parcela apenas em janeiro de 2015.

A dúvida, porém, é quanto desses recursos será usado. No Bradesco, no primeiro semestre, de R$ 28 bilhões de crédito pré-aprovado para pequena e média empresas, apenas 10% foi utilizado. “Nossa expectativa é de um segundo semestre mais aquecido. A preparação para as vendas de fim de ano, maior necessidade de fluxo de caixa e o maior número de dias úteis contribuem para isso”, afirma o diretor executivo do Bradesco, Altair de Souza.

Para o executivo, a nova linha de “compror” do banco é uma forma de tentar trazer para o universo bancário operações que hoje são crédito mercantil, entre a empresa e seus fornecedores. No Bradesco, o estoque de crédito para PMEs cresceu 3,7% nos 12 meses encerrados em julho, a R$ 112,2 bilhões. A participação dessa linha na carteira de pessoa jurídica caiu de 26,9% para 25,8%.

O Santander também trabalha com a expectativa de um segundo semestre mais aquecido e admite que, até junho, a demanda por crédito foi menor. “Como há um consumo que está se comportando de uma maneira diferente do que se comportou nos últimos anos, as empresas precisam investir menos e naturalmente vão tomar menos recursos”, afirma Paulo Duailibi, superintendente executivo de produtos de varejo do banco. Até junho, o saldo de crédito do banco a empresas grandes cresceu 12,5% em 12 meses, mas a carteira de pequenas e médias empresas teve queda de 12,1% e somou R$ 31,264 bilhões. O banco espera que os segmentos de consumo e de serviços puxem uma retomada.

O avanço das taxas de juros cobradas em empréstimos para pessoas jurídicas também ajuda a explicar a menor demanda. No caso do capital de giro, a taxa média anual saiu de 18% em julho do ano passado para 21,4% em julho deste ano. Em janeiro de 2014, porém, estava em 21,3%, o que sinaliza uma taxa relativamente estável nos últimos sete meses.

Para André Mesquita, vice-presidente de produtos do Banco Indusval & Partners, não há espaço para uma grande escalada das taxas. Com a baixa demanda por empréstimos, cresce a disputa por empresas com bom perfil e os bancos seguram a alta de preços para esse segmento. “O mercado hoje tem uma taxa um pouco mais alta do que no mesmo período do ano passado, mas não é nada que seja significativo”, diz.

O Indusval, assim como outros bancos de médio porte, também vê um cenário fraco. “Depois de junho, a demanda arrefeceu bastante. Poucas empresas estão tomando dinheiro, a não ser aquelas que estão em meio de ciclos claros, como as empresas de café”, afirma Mesquita. Para ele, houve uma antecipação de empréstimos antes da Copa do Mundo, mas agora o banco adotou uma postura comercial “mais ativa”, tentando estimular a tomada de recursos.

“O segundo semestre será um ambiente de desafio para os bancos originarem crédito de boa qualidade”, afirma Alexandre Sinzato, diretor de relações com investidores do ABC Brasil. “Há empresas que podem não estar em seu melhor momento agora, mas que representam oportunidades de médio e longo prazos”, afirma. Para tanto, tem aumentado prazos em algumas operações.

“Os bancos estão privilegiando operações que ofereçam uma comissão melhor e evitando aquela empresa que toma apenas capital de giro e ponto”, diz o presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Manoel Felix Cintra Neto.

fonte:http://www.valor.com.br/

 

 

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