Governo muda política econômica
Tombini, Levy e Barbosa, no anúncio formal da escolha da nova equipe econômica: medidas ainda não foram divulgadas, mas discursos indicam adoção de política fiscal austera nos próximos anos

Governo muda política econômica

Governo muda política econômica

Ao anunciar ontem os integrantes da nova equipe econômica, o governo confirmou que dará uma guinada na política que vigorou nos últimos quatro anos. O discurso mais contundente coube ao futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que divulgou as linhas gerais da nova política fiscal, com o claro objetivo de acalmar os mercados.

Levy informou que, em 2015, o setor público consolidado (União, Estados e municípios) terá de produzir um superávit primário nas contas públicas de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) – neste ano, até outubro, registrou déficit primário de R$ 11,5 bilhões, o pior resultado desde 1997. Em 2016 e 2017, o esforço será ainda maior, de no mínimo 2% do PIB, disse Levy.

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O objetivo da austeridade é a “estabilização e o declínio da relação dívida bruta do governo geral como percentual do PIB” e a redução da inflação, até 2016, para o centro da meta (4,5%). Em 12 meses até outubro, o IPCA variou 6,59%, acima do limite permitido (6,5%).

Levy sinalizou que o governo vai interromper a política de repasse de recursos do Tesouro Nacional aos bancos federais, política que, segundo ele, injetou nos bancos num montante “equivalente a quase um quarto da dívida mobiliária federal em mercado”. A redução da dívida dependerá da não ampliação dessas transferências, advertiu o futuro ministro.

Em sua fala, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, confirmado no cargo, indicou a continuidade da estratégia de alta da taxa básica de juros (Selic) para levar a inflação à meta em dois anos. Tombini também sinalizou que o BC não ampliará a oferta de proteção cambial além dos US$ 105,4 bilhões já colocados no mercado.

O futuro ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, que absorverá em sua pasta programas de outros ministérios, como o Minha Casa, Minha Vida e o de concessões de serviços públicos, defendeu a austeridade fiscal e disse que não há contradição entre estabilidade econômica e gastos sociais.

 fonte:http://www.valor.com.br/